Conversas Amigáveis para Pessoas com Demência
Eu trabalhava como auxiliar de enfermagem na unidade de demência de uma casa de repouso em uma cidade pequena em Iowa.
Já faz muitos anos que não trabalho como auxiliar de enfermagem, mas continuei convivendo com pessoas com demência, tanto pessoal quanto profissionalmente.
Se você está lendo isto, provavelmente já sabe que conversar com alguém nos estágios avançados da demência pode ser algo completamente sem sentido. Naquele momento, dentro da mente deles, eles costumam estar em um tempo e lugar totalmente diferentes dos seus.
O fato de eu, de certa forma, me divertir tendo essas conversas malucas parece algo que preciso confessar (em vez de simplesmente lhe contar), porque estou plenamente ciente de que a confusão e o sofrimento que alguém pode estar vivenciando em sua mente são reais e preocupantes. É triste quando alguém enfrenta a perda de memória e fica cada vez mais desorientado em relação à realidade. Não há dúvida sobre isso. Existe hora e lugar para entrar na onda de um papo ilógico e existe hora e lugar para redirecionar. É preciso saber quando tomar essa decisão.
Mas, por que não encontrar as pessoas onde elas estão? É só isso que estou dizendo. Pode ser revigorante. Até divertido. Especialmente se você tiver um talento para as artes dramáticas.
Cena I
Um exemplo disso... certa vez, enquanto trabalhava como auxiliar, passei pela sala de TV onde Lois me chamou para chegar mais perto.
Quando o manobrista vai trazer o carro?
O manobrista? Veja bem, é como estar em uma cena de improviso onde a situação e a sua identidade são fornecidas apenas por sugestões.
Seu carro deve chegar em breve, senhora.
Ah, maravilhoso. Obrigada, querida. E as malas? Eles vão trazer as malas?
Ah, parece que estamos em um hotel.
Sim, vou garantir que cada item seja colocado no veículo para a senhora.
Até as duas selas de cavalo?
Selas de cavalo?! Tudo bem, então...
Pode ser um pouco apertado, mas faremos o possível para que caibam.
Sim, o Gerald gastou uma nota nelas, sabe?
Ah, aquele Gerald. Tem que ter o que há de melhor, não é?
Ela toca no meu braço.
Não é a mais pura verdade?
Então Lois deu uma risadinha e se virou para a TV, aparentemente feliz por saber que tudo estava em ordem e que ficaria tudo bem.
Cena II
Outra vez, uma residente diferente se aproximou de mim.
Com licença, posso te perguntar uma coisa?
Claro, o que posso fazer por você?
Ela puxa minha cabeça para baixo para poder sussurrar no meu ouvido.
Você por acaso tem algum absorvente? Sabe, acabei de ficar menstruada.
Não existe a menor possibilidade de essa senhora de 82 anos ainda estar recebendo a visita da "chiquinha", mas eu entro na brincadeira.
Não se preocupe, querida. Tenho alguns na minha bolsa. Vou buscar um para você. Gostaria de um ibuprofeno também?
Ela acena com a cabeça e pisca para mim, dizendo um "obrigada" silencioso. Sororidade✊.
Volto com um absorvente e ela o enfia no bolso do cardigã com a discrição de uma missão secreta.
Mais tarde, quando entrei no quarto dela para começar a rotina de dormir, encontrei o absorvente aberto e colado na mesa de cabeceira, com um biscoito de aveia com passas em cima. Bem, sabe como é, fico feliz que ela tenha encontrado uma utilidade para ele.
Uma Nova Perspectiva
Claro, essas trocas não fazem sentido. No entanto, naquele momento, fui convidada a entrar na realidade presente de outra pessoa. Mesmo que isso tenha exigido que eu fosse um pouco fora da casinha, o resultado foi que essas mulheres pararam de se preocupar. O comportamento delas mudou. Tudo estava bem novamente. Quem não encontraria um pouco de alegria nisso?
Construir histórias de vida é uma parte muito importante do foco da equipe de cuidados em lares de idosos. Quando a oportunidade surgir, talvez você possa fazer parte da história de vida de um residente encenando uma cena com ele. Ambos podem gostar.
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Biografia do Autor: Taylor Vander Well lidera a área de Melhores Práticas e Comunicação da StoriiCare. Ela mora em Edimburgo, no Reino Unido, com seu parceiro e filho.






